Terceirização: proposta do MTE oficializa
precarização do trabalho
A CUT compareceu nesta quinta-feira 13 em audiência pública
convocada pelo ministro do Trabalho e Emprego, Carlos Lupi, para a
apresentação das diretrizes de um projeto de lei que
será elaborado pela pasta para regulamentar a terceirização
no Brasil. Após sua conclusão, o PL será encaminhado à Casa
Civil para apreciação e posterior envio ao Congresso
Nacional com caráter de urgência.
Os representantes da CUT, entre eles o secretário de finanças
da Contraf Miguel Pereira, fizeram várias críticas ao
projeto. Também participaram da reunião o secretário
de Relações do Trabalho, Luiz Antônio Medeiros,
outras centrais sindicais e representantes do patronato. Também
chamou a atenção a presença na mesa do deputado
Laerte Oliveira (PSDB-SE), que é o atual presidente da Federação
das Empresas Prestadores de Serviços de Asseio e Conservação.
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Não sabemos se isso foi uma ironia ou uma sinalização
de tendência", ironiza Miguel. "Mas o fato é que,
por todo o tempo, ouvimos os representantes do ministério, inclusive
o próprio ministro Lupi, falarem em combater a precarização
dos direitos trabalhistas. Com esta proposta, ao contrário,
nossa análise é que a precarização aumentará e
muito. Nos parece que o MTE focou seus interesses apenas na segurança
jurídica para as empresas", lamenta.
Em março foi criado um grupo de trabalho tripartite (trabalhadores,
governo e patrões) para discutir o projeto de lei, mas nunca
chegou a se reunir. As discussões se limitaram a encontros entre
trabalhadores e governo e patrões e governo, sem que nunca tenham
acontecido negociações efetivas.
A audiência de ontem concluiu esse processo, quando o Ministério
definiu as premissas que balizarão a proposta de PL de sua autoria,
a ser encaminhado à Casa Civil. A versão da PL está disponível
no site do ministério (www.mte.gov.br) para a apreciação
da sociedade por somente dez dias a partir de ontem. A pretensão
do MTE é concluir esse debate até o mês que vem.
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Com base nas críticas que apresentamos abaixo, é fundamental
que todos os sindicatos conheçam e divulguem a proposta, e fiquem
alertas para todos os prejuízos que poderão recair sobre
a classe trabalhadora caso a proposta de PL seja consolidada",
adverte Miguel Pereira, representante da CUT na audiência. "Orientamos
a todas as entidades e dirigentes que também enviem e-mails
com críticas e sugestões ou protocolem as contribuições
junto ao Ministério, em Brasília." O endereço
para o envio de sugestões é terceirização.srt@mte.gov.br.
Para contribuir no debate das entidades, relembramos as premissas aprovadas
na CUT e demais centrais sindicais para a regulamentação
da terceirização e que foram incorporadas no PL 1.621/2007
do deputado Vicentinho (PT-SP):
1) Direito à informação e negociação
prévia com os sindicatos dos trabalhadores;
2) Proibição da terceirização na atividade-fim;
3) Responsabilidade solidária da empresa contratante pelos direitos
trabalhistas e previdenciários;
4) Igualdade de direitos e de condições de trabalho;
5) Penalização das empresas infratoras.
Veja os principais problemas da proposta:
- A proposta de PL pretende regulamentar a prestação
de serviços entre empresas (Código Civil) e não
relações de trabalho.
- Legaliza a figura dos "PJs", uma vez que diz o texto que
a contratada poderá ser pessoa jurídica especializada.
- Autoriza indistintamente a terceirização de serviços,
seja nas atividades fim ou meio, contrariando o disposto no Enunciado
331 do TST.
- Estabelece como parâmetro para a terceirização
somente os serviços especializados, mas quem define esta especialização é o
próprio contrato social das empresas.
- Não será exigido dessas "empresas especializadas" objeto
social específico, ou seja, uma mesma empresa poderá ser "especializada" em
quantas atividades quiser.
- Os direitos dos trabalhadores da contratada serão os assegurados
em convenção coletiva dos respectivos trabalhadores pertencentes
a esta categoria profissional, ou seja, desvincula da categoria principal.
- Com essa concepção, o PL descaracteriza por completo
as atuais categorias profissionais.
- Não prevê negociação ou tratativas com
os sindicatos.
- Dificulta a fiscalização e autuação por
parte da própria secretaria de fiscalização do
MTE, por exemplo, para estabelecer vínculo de emprego.
- Possibilita as subcontratações - quarterização,
quinterização etc. -, dificultando o acompanhamento e
ação sindical.
Importante - O PL 4.302/FHC que altera a lei do contrato
temporário
e regulamenta a terceirização no Brasil voltou a tramitar
recentemente no Congresso Nacional. Apesar de no início do governo
Lula ter sido encaminhado pedido de arquivamento, ele não foi
votado até hoje na Câmara dos Deputados. No dia 15 de
outubro, a CTASP (Comissão de Trabalho e Administração
do Serviço Público) aprovou em votação
unânime o projeto (mais informações aqui). "Se
no início do ano os trabalhadores tinham um cenário mais
favorável para o debate, com a reversão de diversos processos
de terceirização por condenação judicial
por intermediação ilegal de mão de obra, como
nos casos da Volkswagen de Resende (RJ), a Furnas (MG), diversos processos
contra bancos e financeiras etc., o cenário atual é de
alerta geral e muita mobilização dos sindicatos e trabalhadores",
avalia Miguel.
Fonte: Contraf/CUT